sexta-feira, 17 de outubro de 2008

O cara de cinema

               É só ele me olhar que eu me estremeço toda. Ele me toca e eu sinto arrepios. Eu 22, estudante de jornalismo sem futuro e ele 42, diretor de cinema bem sucedido. Começou numa sessão de cinema para divulgação de mais um dos seus filmes. Sempre o admirei, aqueles filmes tão belos e complexos, aquelas idéias heterodoxas, aquele jeito de falar e andar de quem é independente do mundo. Sentei na primeira fila, ele estava numa grande mesa à frente observando o público. Não tirei os olhos daquele homem tão extremamente sedutor. Ele percebeu e me olhou dando um sorrisinho safado, como quem diz: "Eu te pego na saída". Ao fim do debate e das minhas perguntas o mais inteligentes possíveis no contexto, fui sondá - lo a respeito de uma entrevista. Pela minha eloqüência ele percebeu que isso ia passar do sofá de um hotel, subiria alguns andares. Ele aceitou. 
             Usei também dos meus truques. Fiz perguntas provocantes como se eu o estivesse desafiando, e ele adorou. respondia empolgado e surpreso. Subimos até o quarto para olharmos a "agenda " da divulgação. Foi eu entrar e ele me agarrou. Ele  me beijava com violência, com força, puxava meus cabelos.  E eu correspondia. Esqueci de laptop, celular, gravador... Ficou tudo caído pelo chão. Nos amamos como feras, como quem brigava pela posse do outro. 
Só fui embora de manhã e deixei ele dormindo como uma criança. Sabia que no dia seguinte ele me ignoraria e então resolvi dar uma de cruel. Deixei um bilhetinho dizendo: "Adeus , e obrigada pela companhia." Saí sem deixar vestígios.  
               Uma semana depois me chamam na redação do estágio. Era uma ligação. " É aquele diretor famoso pedindo pra rever alguns pontos da entrevista."

Um comentário:

aprendiz. disse...

Genial.
Sério mesmo!
Estou te falando isso.. sem os meus olhos de amiga.
Adorei, principalmente.. a parte em que ela é "cruel".
xD

kah.