Os amigos mais chegados já haviam se acostumado às suas ausências e não se queixavam, tinham no fundo uma certeza calma de que ela voltaria. E eles estavam certos, ela sempre precisava de suas raízes. Sua ligação com o lugar de origem era forte. Lá era seu refúgio, um canto conhecido e cúmplice para se esconder. Depois de ver tantos mundos e sentir tantos cheiros, queria ver de novo sua bisavó tricotando no sofá da sala , sentir o cheiro de ensopado de galinha que sua mãe fazia tão bem, tocar a maciez das cobertas de lã lavadas com sabão de coco.
Assim como precisava da casa, seu corpo necessitava da rua. O rosto de cada pessoa desconhecida lhe mostrava novas possibilidades de ser feliz, cada lugar novo, cada mundo lhe fascinava. Não conseguia ficar muito tempo com o mesmo, sugava tudo o que tinha de bom no momento e partia para outra. Suas necessidades mudavam muito rápido e ela queria sempre mais e mais da vida.
Precisava ser livre e presa ao mesmo tempo. Precisava de tudo: do amor, do ódio, do doce, do amargo. Precisava sentir sobretudo. Precisava experimentar. E isso só era possível se jogando no mundo. E quanto às consequências? O resto é o resto.

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