terça-feira, 3 de novembro de 2009

Amor às terças-feiras

Depois de muito tempo era a primeira vez que ficavam sozinhos. Depois de muita coisa sugerida, outras escondidas, tudo no meio termo, sempre deixando margem para dúvidas. Ninguém sabia ao certo o que estava acontecendo, nem eles mesmos. Sempre tinha muita gente em volta, muita distância, muito medo e muita insegurança.
Eles se olhavam nos olhos. Os dois sozinhos naquele quarto sem dizer uma palavra. Mas seus olhos diziam muito, diziam tudo. E começaram a se encarar, como numa disputa por território. Os dois tinham o mesmo signo, a mesma personalidade forte, a mesma ansiedade doida. E começaram a se explorar.
Muita coisa rolando e ela decidiu tomar um banho, aquilo seria muito especial. E ele do lado de fora, já respirando fundo. O celular dele toca, eram os compromissos o chamando de volta à realidade. E ele cancelou tudo, apesar de saber que ao fazer isso o mundo cairia em suas costas. Mas isso era o depois.
Ela havia ouvido tudo do banheiro e sentiu o peso daquele momento. E, de repente, delirou. Viu seu cachorro vomitando no boxe. Não segurou e vomitou também. Vomitou muito, tudo que havia no seu estômago, até se sentir fraca.
Saiu do banheiro ainda enjoada e com o rosto inchado de chorar. Mal conseguia olhar para ele. Soluçando disse:
- Desculpa, mas eu não consigo.
Viu no rosto dele a frustação tomando forma. E começou a se vestir para ir embora. Pegou a chave, as coisas e vestiu o paletó. E ela olhava para baixo, morrendo de vergonha. Ela se sentia culpada por tudo ter dado errado. Só queria fugir dali.
Ele veio por trás e lhe deu um beijo no rosto. Além disso, surrurrou baixinho em seu ouvido:
- Eu te amo.
Ele foi embora e bateu a porta.
Ela sentiu o mundo se iluminar. Um sorriso leve agora estampava seu rosto. Porque pela primeira vez ela sabia que estava protegida e que era realmente amada.